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Exposição Coletiva Hotel 689 , com participação de Auri Moraes na galeria Lud Potrich Art.

16 de set.
4 min de leitura

Atualizado: há 5 dias

Goiânia — Goiás , Maio de 2026 , Curadoria: Fernando Matos

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Quando a pele deixa a parede e passa a ocupar o espaço


Em maio de 2026 participei da terceira edição da HOTEL/689, exposição coletiva realizada na Lud Potrich Art Gallery, em Goiânia, com produção de Ludmila Potrich e curadoria de Fernando Matos. A mostra reuniu mais de 50 artistas de diferentes partes do país e abriu no dia 9 de maio, seguindo em visitação de 10 a 17 de maio. Estar entre tantos trabalhos, linguagens e modos de pensar a arte contemporânea foi também uma oportunidade de perceber com mais clareza o lugar que venho construindo para o meu próprio trabalho.

A obra que apresentei na HOTEL/689 nasce de algo que atravessa minha pesquisa há algum tempo: a pele como território. Não penso a pele apenas como superfície. Ela pode guardar marcas, receber inscrições, ser rasgada, costurada, sobreposta, dobrada. Pode esconder e mostrar ao mesmo tempo. Pode ser corpo sem precisar representar literalmente um corpo.

obra exposta na galeria Lud Potrich
obra exposta na galeria Lud Potrich

Nesta obra, pintura, escrita, costura, transparências e sobreposições aparecem em grandes fragmentos que se encontram no espaço. Há cor, há gesto, há excesso, há partes que parecem querer permanecer juntas e outras que escapam. As bordas não procuram desaparecer. As marcas do fazer continuam visíveis porque me interessa justamente aquilo que normalmente se tentaria esconder: o avesso, a emenda, a tensão, o ponto, a falha, o encontro entre uma parte e outra.

Nos últimos anos venho entendendo que minha pesquisa não termina quando uma superfície está pintada ou costurada. Cada vez mais me interessa o que acontece quando essa pele ganha corpo e passa a negociar com o espaço.

vista da exposição com as demais obras de outros artista
vista da exposição com as demais obras de outros artista

Na HOTEL/689, a obra aparece suspensa. E essa suspensão muda tudo.

Ela não está simplesmente diante de quem olha. É preciso percorrê-la. O olhar atravessa vazios, encontra transparências, percebe frente e avesso, acompanha as dobras e os deslocamentos. Dependendo de onde se está, a obra se reorganiza. Uma parte encobre a outra, depois desaparece; uma escrita surge no meio da pintura; uma costura cria direção; uma dobra transforma uma superfície em volume.

É nesse ponto que reconheço uma mudança importante no meu trabalho. Venho de uma relação muito próxima com a roupa, com a pintura e com a costura, mas hoje essas referências já não aparecem para vestir alguém. Elas se tornaram uma linguagem para pensar corpo, memória, desejo, abrigo, transformação e existência.

vista da obra com convidados da exposição
vista da obra com convidados da exposição

Nunca foi somente sobre vestir pessoas. Era sobre revestir memórias.

Talvez por isso a costura permaneça tão presente. Para mim, costurar não é apenas unir duas partes. É decidir onde aproximar, onde tensionar, onde deixar escapar. Algumas linhas seguram. Outras desenham caminhos. Algumas parecem cicatrizes. Outras quase desaparecem. A própria construção passa a fazer parte do pensamento.

Também não quero que meu trabalho fique restrito àquilo que foi perdido ou vivido no passado. Minha pesquisa fala de memória, mas fala igualmente de invenção, desejo, sonho e futuro. Interessa-me o que carregamos, mas principalmente aquilo que conseguimos fazer com o que carregamos. Antes de sobreviver, existe o gesto de viver, desejar e imaginar outras possibilidades de estar no mundo.


vista da exposição


Participar da HOTEL/689 me permitiu perceber essa obra dentro de uma constelação muito maior de produções contemporâneas. Em uma exposição com dezenas de artistas, cada trabalho cria seu próprio território, mas também passa a conversar com aquilo que está ao redor. Minha obra entrou naquele espaço levando um pouco do que venho procurando construir: uma linguagem em que pintura, pele, costura, escrita e instalação já não aparecem separadas.O que me interessa agora é justamente essa passagem.

Da superfície para o corpo. Do corpo para o espaço. Daquilo que eu construo com as mãos para aquilo que cada pessoa poderá encontrar quando estiver diante da obra.

vista da obra
vista da obra

A HOTEL/689 aconteceu na Lud Potrich Art Gallery, na Rua 52, nº 689, Jardim Goiás, em Goiânia, com curadoria de Fernando Matos e produção de Ludmila Potrich. Fazer parte desta terceira edição foi também registrar um momento da minha trajetória em que o trabalho começa, cada vez mais, a deixar de ser algo apenas para ser visto e passa a ser algo para ser atravessado.

Auriele Moraes, 2026



HOTEL/689 — uma coletiva de encontros, linguagens e territórios

Em maio de 2026 participei da HOTEL/689, em sua terceira edição, realizada na Lud Potrich Art Gallery, em Goiânia. A exposição reuniu 57 artistas, aproximando diferentes gerações, pesquisas e linguagens da produção contemporânea. A abertura aconteceu em 9 de maio, às 10h, e a visitação seguiu de 10 a 17 de maio, na Rua 52, nº 689, Jardim Goiás.

A dimensão coletiva da HOTEL/689 foi uma parte importante dessa experiência. Meu trabalho esteve inserido em um espaço ocupado por muitas maneiras diferentes de pensar imagem, corpo, pintura, instalação, objeto, matéria e espaço. Mais do que apresentar uma obra isoladamente, participar dessa exposição significou vê-la estabelecer relações com outras produções e perceber também aquilo que, dentro desse conjunto, começava a se tornar cada vez mais particular na minha própria pesquisa.


Informações oficiais da HOTEL/689

  • Exposição: HOTEL/689 — 3ª edição

  • Abertura: 9 de maio, às 10h

  • Visitação: 10 a 17 de maio de 2026

  • Local: Lud Potrich Art Gallery

  • Endereço: Rua 52, nº 689, Jardim Goiás, Goiânia

  • Produção: Ludmila Potrich

  • Curadoria: Fernando Matos

  • Montagem: Uesley Mesquita

  • Designer: Lucas Gomes

  • Assessoria: Glayson Arcanjo e Suyan de Mattos

  • Consultoria: Adriana Mendonça, Kassius, Paulo Duarte-Feitoza e Wendel

  • Agradecimentos: Auriele Moraes, Bruna Fleury, Eduardo Oliveira e José Seronni Neto


57 artistas reunidos na exposição

Participaram da HOTEL/689: Adriana Mendonça, Alex Dalcin, Ana Flávia Maru, André Felipe Cardoso, Andréa Dall’Olio, Angelina Polon, Anna Beatriz, Auriele Moraes, Beka Costa, Bibi Ferreira, Bosco Feitosa, Cássia Nunes, César, Clarissa Fleury, Claus Lima, Coletivo Cuscuz, Daniel Oliveira, Elias de Aquino, Eliane Chaud, Emiliano Freitas, Érico José, Ferreira Horácio, Flavia Leme, Fernando Costa Filho, Gabriel Aires Peixoto, Gabriel Matos, Glayson Arcanjo, Gleici Sousa, Hortência Moreira, Isabel Se Oh, João Moura Varanda, João Teles, Jorge Souza, Jota Testi, Kassius, Lais Rocha, Leonam Fleury, M. Francisca S.B., Mah Ferreira, Marcelo Andrade, Marcus Vinicius Diniz, Maria Tereza Gomes, Matheus de Souza, Michelli Bittar, Nicolas Gabriel, Paulo Paiva, Pitágoras, Rafael de Almeida, Rafael Vaz, Rodrigo Flávio, Roos, Suyan de Mattos, Telma Alves, Thays Tyr, Vinicius Monte, Wendel e Zé César.


escrito por : Auri Moraes , @auri_artista

 
 
 

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